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DO LIXO AO ARQUIVO
de imagens, restos e coisas

Toda história tem a ver com restos, matérias duras que sobrevivem aos acidentes do tempo, e que são as materialidades com as quais podemos dar conta do tempo passado. Mas também tem a ver com aquelas outras matérias brandas, que desaparecem por sua natureza frágil. As materias duras são objeto do conhecimento, mas aquelas matérias brandas, desaparecidas no tempo, são objeto da imaginação. Toda imagem é materialidade mas também imaginação, toda história é passado mas também restos presentes. 

Os lugares das coisas e das fotografias vernaculares, quando reunidos depois de uma primeira vida não mais constituinte de um arquivo, uma pós-vida (Aby Warburg) na fronteira do lixo e do arquivo e para o além arquivo (Aleida Assmann). Reflexões e provocações iniciais em torno das noções de “arquivo” e “lixo” e “imagens órfãs” na direção do que reflete Assman, quando diz: “arquivo e lixo não são interligados por meio de uma fronteira comum que pode ser transposta por objetos em ambas as direções. O que não pode entrar no arquivo cai no aterro sanitário; e o que for excluído do arquivo de tempos em tempos por falta de espaço acaba lá de alguma forma.”